terça-feira, 8 de junho de 2010

Os Açores são um laboratório natural para exploração e investigação da actividade espacial




Os Açores assumiram a área espacial como um potencial pólo dinamizador, seja nas áreas do investimento público, como nos domínios da actividade científica, tecnológica e operacional, seja no privado, no desenvolvimento de software - no segmento do espaço - e engenharia de sistemas.

Esta foi uma das principais mensagens que o Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos transmitiu no painel de abertura subordinado ao tema ‘Políticas Regionais e a Estratégia EU 2020’, no “Touluse Space Show”, em França.

José Contente, cuja intervenção tinha como directrizes “A estratégia dos Açores no domínio do espaço e o impacto positivo que a economia, associada às tecnologias espaciais, tem no quadro dos objectivos da Estratégia EU 2020”, enumerou os vários projectos na área da tecnologia espacial que estão a ser desenvolvidos na Região e que têm colocado o arquipélago num patamar de modernidade e desenvolvimento elevado.

A propósito referiu que “deste modo, abrimos os Açores à modernidade e à inovação acompanhando a emergência de um modelo de convergência que associa a velocidade, a complexidade, o risco, a mudança e a surpresa, aos sistemas económicos e às trocas comerciais, no quadro de novas plataformas tecnológicas e científicas que, hoje abrem novos desafios que permitem ligar os Açores ao Mundo desenvolvido e re-ligar mais uma vez as nossas ilhas entre si”.

Em França, perante uma vasta audiência de entidades ligadas à actividade espacial, o governante realçou o papel interventivo dos Açores no apoio e incrementação de novas áreas estratégicas do conhecimento e inovação, onde se integra o espaço, a fim de potenciar este cluster de desenvolvimento por via do uso da economia baseada no conhecimento, para reforçar o crescimento económico, a criação de emprego e competitividade, agora reforçada pela EU 2020.

“As regiões enquanto laboratório natural para a investigação – como é o caso dos Açores - devem ser consideradas um observatório de excelência para a fase de demonstração de projectos, por conta das suas especificidades/vantagens”, disse José Contente, fazendo referência à imagem dos Açores no “Touluse Space Show”, que identifica os Açores como um laboratório natural por excelência para as actividades de investigação espacial ligadas ao mar.

Na intervenção do painel de abertura, o Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos defendeu a existência de uma correlação directa entre a tecnologia espacial e prioridades da EU 2020, evidentes nos parâmetros do crescimento inteligente - baseado no conhecimento e inovação, uma das premissas da área espacial; no crescimento sustentável – porque promove uma economia mais eficaz em termos de recursos, nomeadamente na luta contra as alterações climáticas; e no crescimento inclusivo – baseada uma economia com elevadas taxas de emprego qualificado, assegurando a coesão económica, social e territorial.

José Contente frisou ainda que “o espaço deve estar ao serviço dos cidadãos europeus. Todas as vantagens obtidas deverão resultar em progresso para o quotidiano europeu, proporcionando uma Europa inovadora, competitiva e inclusiva” e, acrescentou, a tecnologia espacial está a dotado o mercado europeu com novas soluções, assegurando novas dinâmicas de emprego e potenciando um modelo económico sustentável, inteligente e inclusivo.

Recorde-se que a caminhada científica e tecnológica que os Açores estão a percorrer potencia a centralidade Atlântica do arquipélago com projectos qualificantes e estruturantes, “como já ocorreu com a Estação da ESA, ou como as novas estações VLBDI que integram Açores e o País numa rede atlântica de estações geodinâmicas espaciais, que para além, por exemplo, de permitir, no caso da nossa Região, a construção de um modelo tectónico mais rigoroso com implicações ao nível dos estudos sísmicos, também abrirá novas dimensões nos domínios da georreferenciação, navegação, vigilância e alerta de riscos naturais, entre outros”, disse o governante.

O Centro Nacional de Vigilância Marítima do Atlântico, sedeado em Santa Maria; o Projecto ARM, na Graciosa, e o Pico-Nare, na ilha do Pico, ambos ligados à Climatologia; a Estação de infra-sons e detecção de ensaios nucleares da Comissão Preparatória da Organização do Tratado sobre a Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBTO), na Graciosa; a Rede de Estações Permanentes da Região Açores utilizadores de tecnologia GPS e já preparadas para GNSS; a cartografia digital que produzimos e que serve de base ao Google Earth e ao Virtual Earth da Microsoft; e a rede alternativa da Protecção Civil, foram alguns dos projectos de grande impacto científico e tecnológico que já são uma realidade na Região Autónoma dos Açores, assinalados por José Contente.

“O objectivo é claro: promover novas oportunidades de emprego qualificante e aumentar a atractividade das nossas ilhas através da ciência e da tecnologia, esperando a fixação de quadros e novas empresas”, rematou ainda José Contente, relembrando ainda o movimento Açores como Região Europeia de 2010, “um sinal claro de que estamos investir e a acompanhar este movimento europeu, em prol de uma sociedade mais desenvolvida e de uma Europa mais forte pelo produto das políticas firmes das suas Regiões”.


GaCS/VS

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