sexta-feira, 25 de junho de 2010

André Bradford apela aos emigrantes para que sejam defensores dos Açores de hoje




O Secretário Regional da Presidência apelou para que os açorianos da diáspora sejam “porta-vozes” e “defensores” dos “Açores de hoje”, não apenas “nos aspectos culturais e sociais em que são únicos - como é o caso do culto do Espírito Santo – mas também, e em paralelo, na exposição das suas potencialidades e mais-valias que decorrem também do facto dos Açores estarem integrados no espaço comunitário, na fronteira entre a América e a Europa, e na interconexão entre Sul e o Norte”.

André Bradford, que falava na cerimónia de abertura do IV Congresso Internacional do Espírito Santo, que está a decorrer na cidade de S. José, na Califórnia, a que presidiu, em representação do Presidente do Governo dos Açores, justificou o desafio lançado com a necessidade que os Açores têm para que, cada açoriano, “directa ou indirectamente”, seja um elemento “potenciador do crescimento económico do arquipélago, por via do investimento externo, e da sua plena integração no mercado mundial e nos benefícios da globalização”.

O membro do executivo açoriano, que tutela a área das comunidades, realçou, junto dos representantes das comunidades açorianas, que se reuniram para reflectir acerca do culto do Espírito Santo, que "o crescimento e o desenvolvimento que os Açores registam nos dias de hoje", contrastam com “o que os Açores eram, quando no início do século XIX muitos dos nossos foram obrigados pelas adversidades a sair das nossas ilhas, e as oportunidades que apresentam hoje para o regresso e para o investimento”.

Para André Bradford não existem dúvidas relativamente ao desenvolvimento que os Açores registam actualmente: “desde 2001 que a economia dos Açores cresce a um ritmo anual três vezes e meia superior ao nacional”, acrescentando que são a “única região que, em todos os últimos doze anos, teve taxas de crescimento positivas, aproximando-se em dez pontos percentuais da média nacional. E em termos de PIB per capita, no período de 1996 a 2007, a economia regional convergiu 8 pontos percentuais se considerarmos a União Europeia a 15 países”.

O membro do executivo açoriano argumentou ainda que os Açores “conseguiram resistir de forma determinada e permanecem no caminho do crescimento e desenvolvimento”, mesmo tendo em consideração “o panorama internacional de retracção económica e financeira, que afecta todas as regiões do mundo”, sublinhando que a economia regional “é hoje uma economia dinâmica, assente em mais sectores de desenvolvimento, com uma maior taxa de activos e uma população jovem capaz de impulsionar o crescimento, investindo em novas áreas e com maior nível de conhecimentos”.

O Governo dos Açores, conforme André Bradford transmitiu aos participantes no IV Congresso Internacional sobre o Espírito Santo, reconhece e valoriza a tradição do Espírito Santo que “é indissociável do próprio sentimento de açorianidade e elemento identitário fundamental da nossa cultura popular e religiosa”, a tal ponto que, enfatizou, “celebramos anualmente o dia da nossa região, precisamente no dia maior do Espírito Santo”, o que reforça “o sentimento de partilha entre todos os açorianos, em todos os locais do mundo”.

A importância do Espírito Santo, que “marca profundamente a vivência dos açorianos no mundo, enquanto fonte de inspiração e motivação pessoal e colectiva”, é de tal forma que, enquanto “manifestação ancestral, acompanha, desde sempre, o percurso existencial dos açorianos”, com uma pujança tal que “permanece fortemente implantada em todas as nossas comunidades – do Sul do Brasil ao Norte da América do Norte e Bermuda”, de tal modo que, conforme declarou André Bradford, “o Governo dos Açores tem levado o Dia dos Açores, não só de ilha em ilha, mas também, e já por duas vezes, às nossas comunidades no estrangeiro”. “Sabemos que só assim estamos a respeitar a memória de todos quantos saídos das suas ilhas por adversidades e contrariedades múltiplas, souberam construir um património de respeito e orgulho de todas as comunidades que os acolheram pela sua perseverança, capacidade construtora e contributo honesto, sem nunca renegarem as suas raízes e cultura”, concluiu.

O IV Congresso Internacional sobre o Espírito Santo, tal como as anteriores edições, mereceu o entusiasmo e o apoio do Governo dos Açores, através da Direcção Regional das Comunidades, que, de acordo com o governante, tem plena justificação já que “cada festa do Espírito Santo, nas suas tradições e rituais, é um exercício de memória e de saudade, mas é também um momento de reafirmação dos Açores e da Açorianidade no Mundo”.

“Quando as vivemos fora das nossas nove ilhas, estas festas ganham ainda uma outra escala temporal. A escala do percurso percorrido por cada comunidade açoriana no mundo, dos momentos primeiros da chegada até à integração e ao sucesso de que são hoje exemplo grande parte dos Açorianos no mundo”, sublinhou, em conclusão.


GaCS/LFC

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