sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Campanha SOS Cagarro salvou este ano 114 cagarros na Ilha Graciosa


A campanha SOS Cagarro, que decorreu nos Açores entre 1 de outubro e 15 de novembro, permitiu salvar este ano cerca de 2.000 cagarros juvenis em todas as ilhas do arquipélago.

A informação foi avançada nesta sexta-feira pelo Diretor Regional dos Assuntos do Mar, Frederico Cardigos, ao apresentar os resultados da campanha, no âmbito da celebração do Dia Nacional do Mar, que hoje se assinala.

Durante a campanha, que compreendeu ações de sensibilização, brigadas noturnas de salvamento e ações de anilhagem e libertação de aves, foram ainda recolhidos 177 cagarros mortos e 29 feridos.

Este ano, as ilhas de São Jorge (485), São Miguel (423), Pico (361) e Faial (242) lideraram o número de salvamentos de cagarros juvenis, enquanto Terceira (161), Graciosa (114), Corvo (106), Flores (62) e Santa Maria (46) apresentaram os valores mais baixos.

Conforme indicou Frederico Cardigos, na edição deste ano da campanha SOS Cagarro estiveram envolvidas, no conjunto das nove ilhas, 4.594 pessoas e 249 instituições, o que torna esta iniciativa numa das "maiores ações ambientais, de caráter regular, do País".

Comparativamente com anos anteriores, houve menos salvamentos nesta campanha, o que pode ser atribuído à diminuição, estimada em um terço, do número de aves nidificantes e ao eventual maior sucesso do primeiro voo dos cagarros juvenis, dadas as condições climatéricas que se verificaram no arquipélago.

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar destacou também a elevada percentagem (9%) de cagarros encontrados mortos, adiantando que este fenómeno ocorreu essencialmente em troços de estrada das ilhas do Pico e de São Jorge que atravessam áreas de nidificação.

Segundo referiu, tal facto suscita um maior cuidado por parte dos condutores e poderá levar, no futuro, a uma redução pontual da iluminação pública nessas vias.

Atropelamento e colisão, destruição do habitat de nidificação, poluição e predadores e plantas invasoras são as causas principais da mortalidade dos cagarros juvenis no arquipélago.

O cagarro, cuja subespécie borealis nidifica sobretudo nos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Berlengas, é a ave marinha mais abundante nas ilhas açorianas, ainda que, a nível mundial, a sua situação de conservação seja considerada "desfavorável".

Atualmente, a população açoriana nidificante de cagarros corresponde a cerca de 52% da população mundial da espécie (Calonectris diomedea) e a 74% da população mundial da subespécie (Calonectris diomedea borealis).

Há estimativas que indicam que, se nada fosse feito pelos cagarros nos Açores, a população daquela que é a maior pardela a nidificar no hemisfério Norte poderia diminuir em 30% até 2050.

A 3 de outubro de 1991, numa decisão histórica na proteção do cagarro nos Açores, a Câmara Municipal do Corvo deliberou apagar a iluminação pública dos caminhos às 00:30 horas entre 13 de outubro e 10 de novembro "para proteger as pardelas de bico amarelo".

Mais tarde, em março de 1993, numa iniciativa do Doutor Luís Monteiro, que contou com a colaboração ativa do Governo Regional e dos Amigos dos Açores, foram lançadas as campanhas "Um espaço para os garajaus" e "A escola e o cagarro".

Na sequência destas iniciativas, em 1995, foi criada pelo Doutor Luís Monteiro a campanha SOS Cagarro, no âmbito do projeto LIFE "Conservação das comunidades de aves marinhas dos Açores", tendo como parceiro o Governo Regional.

Atualmente, a campanha SOS Cagarro, que se desenvolve em duas vertentes - Educação Ambiental e Conservação da Natureza - e tem como principal objetivo envolver as pessoas e entidades no salvamento dos cagarros juvenis encontrados junto às estradas e na sua proximidade, é coordenada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar.



Anexos:
2012.11.16-DRAM-BalançoCampanhaCagarro.mp3


GaCS
Publicado por: Jorge M. Gonçalves

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