quarta-feira, 18 de abril de 2012

Resultado do Censo de Milhafres

Este projeto, coordenado anualmente pela SPEA, procura obter informação de base sobre as populações de milhafres/mantas existentes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Nos Açores a espécie é conhecida por Milhafre ou Queimado Buteo buteo rothschildi, na Madeira é conhecida por Manta Buteo buteo harterti.
Ao contrário de outras, esta espécie não tem sido alvo de estudos biológicos aprofundados, pelo que esta iniciativa se reveste de grande importância, principalmente dado o seu papel essencial nos nossos ecossistemas, por exemplo, enquanto agente controlador de pragas, como os ratos.
Neste Censo podem participar todos os cidadãos interessados em contribuir para que mais dados científicos sejam obtidos. Denomina-se esta iniciativa por Citizen Science – Cidadania na Ciência.




Censo 2012 - Resultados

- Número de milhafres observados em cada ilha

 Ilha 2012
 Santa Maria 80
 São Miguel 329
 Terceira 65
 Graciosa 13
 São Jorge 28
 Pico 23
 Faial 15
 Total 553
 Madeira 25
 Porto Santo 7
 Total 32
 Total Arquipélagos 585
- Número de voluntários em cada ilha

Ilha2012
Santa Maria3
São Miguel49
Terceira45
Graciosa3
São Jorge1
Pico19
Faial6
Total126
Madeira22
Porto Santo1
Total23
Total Arquipélagos149
- Número de km's percorridos em cada ilha

Ilha2012
Santa Maria100,30
São Miguel715,60
Terceira494,17
Graciosa62,00
São Jorge44,80
Pico202,50
Faial143,22
Total1762,59
Madeira399,7
Porto Santo18,5
Total418,2
Total Arquipélagos2180,79




Importância e Objetivos do Projeto

O Censo de Milhafres/Mantas teve início em 2006, sob a coordenação da SPEA, que desde essa data até agora contou com a colaboração de 614 voluntários para obter informações e números sobre as populações de milhafres/mantas, tanto no arquipélago dos Açores como no da Madeira.
Dada a dimensão dos arquipélagos, só com a participação da população tem sido possível obter dados desta espécie ao longo dos anos.
A SPEA pretende manter o contacto com esses cidadãos, apostar na sensibilização de novos participantes e aumentar a colaboração nas ilhas onde a adesão tem sido mais reduzida.
Pretendemos ainda usar programas estatísticos para analisar os dados obtidos pelos voluntários. Ou seja retribuir a Ciência à Cidadania!
Os milhafres/mantas podem ser observados por todo o lado, em zonas florestais, áreas costeiras, pastagens e mesmo zonas urbanas. São conhecidas algumas ameaças como a perseguição do Homem, o envenenamento ou a eletrocussão nas linhas elétricas.
Com a sua envergadura de 110 a 130 cm, pode ser visto sozinho ou em grupo, a voar, a pairar, pousado no solo, em cima de cercas, muros, postes ou fios elétricos e telefónicos.


Resultados

Desde o seu início, o Censo de Milhafres/Mantas já contou com a participação de 614 voluntários nos dois arquipélagos, tendo sido registados até ao momento 3221 milhafres (2647 nos Açores e 574 no arquipélago da Madeira).
Nos Açores, São Miguel é a ilha com mais registos (1308 indivíduos, de 2006 a 2011), seguida da Terceira com 587 e do Pico com 191.
De uma forma geral, tem havido voluntários em todas ilhas, contudo denota-se uma baixa participação no Faial, em São Jorge, no Pico, em Santa Maria e na Graciosa.
Até à data, na Madeira registaram-se 491 mantas e 83 no Porto Santo.
Os dados recolhidos pelos voluntários têm permitido identificar algumas características da biologia dos milhafres/mantas, tais como o comportamento e os habitats mais utilizados.
A maioria dos indivíduos foram observados a voar. Este é, sem dúvida, um comportamento frequente, apesar de ser o que mais facilita a sua observação.
A nível de habitat, avistaram-se, maioritariamente, em áreas de pastagem e de florestas. As pastagens são excelentes zonas de alimentação, onde é mais fácil observar estas aves. As zonas urbanas e campos de cultura também são utilizados, ainda que em menor proporção.
Os resultados aqui apresentados são o reflexo dos transeptos efetuados em cada ilha, dos quilómetros percorridos, dos dados disponíveis para análise e do número de voluntários/cidadãos-cientistas.
De futuro, a SPEA pretende cativar cada vez mais participantes, que percorram mais transeptos em todas as ilhas onde decorre o Censo. Com esses resultados será ainda possível efetuar o tratamento estatístico dos dados com o auxílio de programas específicos, para obter uma estimativa mais fiável do número de milhafres/mantas existente em cada ilha dos dois arquipélagos.


Como colaborar / Metodologia

O Censo de Milhafres/Mantas decorre uma vez por ano, durante um fim de semana, no mês de março ou abril, nos arquipélagos dos Açores e da Madeira (com exceção das ilhas Flores e Corvo, nos Açores, pelo facto de nas mesmas não existir esta espécie).
Nessa altura, aproveite para dar um passeio, com amigos ou familiares e participe nas contagens! Seja cientista por um dia! Os dados a recolher são simples e não exigem conhecimentos específicos, para além de saber identificar um milhafre/manta!

Para participar tudo o que deve fazer é:
1. Escolher e definir a rota que irá percorrer no fim de semana em questão e enviar-nos previamente a descrição da mesma. Desta forma, pretende evitar-se a sobreposição de rotas (Os percursos podem ter o total de quilómetros que o colaborador entenda. A SPEA recomenda efetuar percursos diferentes de 20 km cada um);
- Se estiver no Arquipélago dos Açores envie para carla.verissimo[arroba]spea.pt ou ligue para 918536132.
- Se estiver no Arquipélago da Madeira envie para madeira[arroba]spea.pt ou ligue para 967232195.

2. No fim de semana, percorrer a rota escolhida e registar na Ficha do Censo todos os milhafres/mantas observados;

3. Assinalar na Ficha:
- o quilómetro inicial e final (a SPEA recomenda colocar o conta-km do seu carro a zeros, ou anotar o indicado no painel, tanto no início como no final do Censo)
- todos os quilómetros em que observa milhafres/mantas;
- a distância a que os observa: menos de 50 m; 50 – 200 m; 200 – 500 m; ou mais de 500 m (a SPEA deixa uma sugestão, caso avistem uma linha elétrica, a distância entre dois postes é de cerca de 100 m);

4. Após a realização do Censo enviar-nos a ficha devidamente preenchida e se possível um mapa da rota percorrida:
- Se estiver no Arquipélago dos Açores envie para carla.verissimo[arroba]spea.pt  ou para SPEA – Povoação; Escola Básica da Lomba do Carro; 9650-320 Povoação; São Miguel;
- Se estiver no Arquipélago da Madeira envie para madeira[arroba]spea.pt ou para SPEA – Madeira; Travessa das Torres, 2 A; 9060 – 314 Funchal.

SPEA
Publicado por: Jorge Gonçalves

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