quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Presidente do Governo diz que a Região afirma-se como pioneira no aproveitamento das energias renováveis


A assinatura do “Master Agreement” entre a EDA e a Younicos “é mais um passo no sentido da afirmação dos Açores como região pioneira no aproveitamento das energias renováveis e na utilização das mais modernas tecnologias disponíveis para maximizar esse aproveitamento”. Assim considerou Carlos César o acordo hoje assinado entre a empresa elétrica açoriana e a aquela empresa alemã, numa cerimónia à qual presidiu.

A parceria EDA/Younicos incide sobre um projeto, com um investimento inicial de 25 milhões de euros, que vai ser iniciado agora na Graciosa, assente no uso da tecnologia de armazenagem de energia através da utilização de baterias de última geração.

A evolução das baterias nos últimos anos tem sido imensa e têm a vantagem de responder instantaneamente às variações da rede provocada pela intermitência das fontes renováveis de energia e da demanda.

Nesse contexto de procura de soluções para a otimização do uso das energias renováveis, esta parceria tem para o Governo dos Açores três objetivos.

O primeiro é demonstrar a viabilidade, técnica e económica, da utilização de baterias, de grande capacidade de armazenagem de energia, para aumentar a penetração de energia renováveis. Pretende-se com este conjunto de baterias obter uma penetração de renováveis na rede elétrica da ordem dos 70%. Atualmente a Graciosa tem uma penetração de energia renovável da ordem dos 10%, dependente apenas da energia eólica.

Um segundo objetivo é o de demonstrar, igualmente, a viabilidade da utilização de baterias na estabilização da rede não só devido à intermitência das fontes de energias renováveis, como também devido às oscilações da procura.

 Um último objetivo que é o de provar que nos Açores, e especialmente na Graciosa, é viável economicamente obter níveis de penetração de energias renováveis na rede elétrica da ordem dos 70% a partir da energia do vento e do sol.

Carlos César defende que, no futuro, “deveremos estar atentos a estes resultados e certamente tiraremos as lições adequadas para, em caso de sucesso, replicar esta experiência em outras ilhas”.

O Governo dos Açores, na sua qualidade de responsável pelos licenciamentos deste tipo de instalações, cumpridas as devidas formalidades legais, irá atribuir as respetivas licenças de estabelecimento e exploração, garantindo aos seus promotores o tempo necessário para a recuperação do seu investimento e para a demonstração da sua viabilidade. Por outro lado, também a APIA está a analisar o apoio a este projeto, através da atribuição de um incentivo financeiro.

Dado que este projeto incide no lado da oferta, procurando diminuir ao mínimo a energia com origem termoelétrica na Graciosa, o Governo dos Açores admite vir a associar, posteriormente, ações específicas na área da procura, por forma a contribuir para uma maior utilização da eletricidade nos momentos mais adequados, quando se encontrarem disponíveis vento ou sol em abundância, e uma redução do consumo quando esses recursos não existirem ou existirem com menor intensidade.

Para isso, será de esperar o contributo de um outro projeto que se encontra em preparação para a ilha do Corvo – o Corvo Renovável – numa parceria da EDA com o MIT e outras entidades nacionais, para o qual já foi apresentada uma candidatura ao programa Proconvergência, no âmbito do qual serão aprofundada as questões e soluções que se colocam do lado da gestão da procura num sistema isolado.

O Presidente do Governo sustenta que “há um grande potencial de sinergia entre estes dois projetos, o da Graciosa e o do Corvo, pois daquele, e dos resultados que se obtiverem na área do armazenamento em baterias, também poderemos, depois, equacionar a sua replicação no Corvo”.

No restante panorama das energias renováveis nos Açores, hoje, em São Miguel, existem duas centrais geotérmicas com uma potência global de 23 MW, que em 2011 foram responsáveis por 22% da produção de energia elétrica dos Açores. O Governo conta nos próximos anos, não só ampliar a Central Geotérmica do Pico Vermelho, em São Miguel, como também prosseguir com o projeto geotérmico no Pico Alto, na ilha Terceira, de forma a atingir a penetração de 35% da energia elétrica proveniente da geotermia.

O primeiro parque eólico foi construído em Santa Maria em 1988, com uma potência de apenas 240 kW (quilowatts). O Governo conta ter no próximo ano instalado nos Açores uma potência de cerca de 33 MW (megawatts) o que corresponderá a cerca de 10% do total da energia elétrica produzida no arquipélago.

Na Terceira, o Parque eólico da Serra do Cume, recentemente ampliado, de Janeiro a Junho deste ano foi responsável por cerca de 15.5% da produção de energia elétrica produzida naquela ilha.

Carlos César anunciou ainda que “nos próximos três anos teremos em funcionamento duas centrais de incineração de resíduos, uma na Terceira e outra em São Miguel que irão produzir cerca de 8% da energia elétrica dos Açores. Se adicionarmos as potencialidades dos diversos tipos de energia renováveis, e os projetos que estão a ser desenvolvidos, podemos afirmar que a curto prazo teremos a capacidade de ultrapassar os 50% de penetração de energias renováveis na produção de energia elétrica global nos Açores”.

O Presidente do executivo açoriano considera que é preciso “continuar no Governo este percurso realizador e positivo que temos desenvolvido na nossa região, neste como em outros setores estratégicos”.


Anexos:
2012.08.09-PGR-Acordo-EDA-Younicos.mp3


GaCS
Publicado por: Jorge Gonçalves

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