quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César




Chegou o Natal – a Festa de todas as celebrações. Com o simbolismo do nascimento de Jesus, celebramos o começo. É o Natal e, com ele, o Ano Novo. É a Vida e a Esperança, uma após outra, numa reciprocidade de sentido.

É o tempo de todas as proximidades: a comunidade mais remota e os sofrimentos do planeta alcançam, como por magia, uma inusitada vizinhança que nos sensibiliza e espanta. Renovamos a atenção pelos vivos: temos outra inquietude perante as injustiças e sentimos com mais força a saudade motivada pela ausência de companheiros, de amigos e de familiares. A infelicidade dos outros alerta as nossas propensões solidárias e, nós próprios, procuramos, mais do que nunca, o lugar da nossa felicidade.

No Natal, reunimos na família, na memória, ou simplesmente, no desejo, os nossos laços de pertença afectiva; somos, ou lembramo-nos de que devíamos ser, mais fraternos.

Se o Natal apela ao balanço das nossas vidas e à sua ligação com as vidas dos outros, a aproximação do novo ano é, de modo sucedâneo, o momento prometedor. É o tempo de renovo, que favorece a ideia de uma nova vida e de um novo ponto de partida. Mobilizam-se, assim, os desejos e os projectos, e retemperamos as nossas energias construtivas.

É claro que devia ser assim o nosso dia-a-dia. Mas não é, infelizmente. Nem uns vivem em conforto material e espiritual nesta época, nem outros mudam a sua forma negativa de estar e de ver o mundo, e outros, ainda, não encontram o ânimo e a oportunidade para recuperar e melhorar.

A actual crise financeira e económica internacional atrasa e compromete desenvolvimentos positivos. A pobreza e o depauperamento, pelo contrário, avançam em países inteiros e em continentes com populações famintas e dizimadas. A gula do banqueiro e a usura dos senhores da guerra prolongam-se face à fraqueza da regulação internacional e dos sectores. Já vivemos tempos melhores. Todos esperamos, ainda assim, que as consequências e as vítimas de tudo isso sirvam para despertar novas consciências e novos caminhos.

Porque o mundo pode e deve ser melhor, está ao alcance dos homens e das mulheres a procura dessa nova dimensão ética reabilitadora das relações económicas e sociais. Tenho uma forte convicção na superação das actuais dificuldades, que também já chegaram aos Açores – embora, felizmente, de forma incomparavelmente mais ténue.

Estamos a tomar medidas na nossa Região para proteger as nossas famílias e o emprego dos nossos concidadãos, e estimo que tudo irá correr bem.

Na sociedade globalizada em que vivemos é cada vez mais difícil escapar a crises com a extensão da actual, que abala países tão ricos como os Estados Unidos, tão próximos como os países europeus, ou tão influentes na nossa economia como o continente português. Mas, mesmo assim, vamos conseguir minorar esses efeitos mais negativos. Não deixaremos de ter problemas, como sempre os tivemos, mas vamos ter e somar sucessos, como também tem acontecido.

É com esse espírito positivo que devemos passar este Natal. Quanto mais vejo o que se passa por toda a parte, mais tenho a certeza de que os Açores são um bom lugar para se viver. Sei que é difícil, para quem tem um desgosto ou vive no sobressalto e no desconforto, ter, incólumes, essa fé e essa esperança. Mas é dessa forma voluntariosa que ajudamos e que nos deixamos ajudar melhor. Vamos todos, pois, ser mais unidos e professantes na esperança. Vamos aproveitar a mensagem do Natal.

Oxalá as festas de Natal, deste nosso povo inteiro, sejam felizes, onde quer que residam e onde quer que estejam: no Canadá, até à longínqua Kitimat; nos Estados Unidos, desde Massachussets e Rhode Island até às terras da Califórnia; nas Bermudas, ao lado da cor do seu mar; no Brasil, onde hoje dirigimos um abraço solidário aos que foram atingidos pelos temporais na terra irmã de Santa Catarina; no continente português, onde habitam milhares de naturais dos Açores, e nas nossas ilhas – nas Flores, no Corvo, em São Jorge, no Faial, no Pico, na Graciosa, na Terceira, em São Miguel e em Santa Maria. Dirijo, igualmente, os mesmos desejos aos que, não tendo nascido nos Açores, aqui trabalham e aqui vivem como açorianos de adopção.

Boas Festas e um Ano Novo cheio de felicidades.





GaCS

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