|
Notícias e informações de temática graciosense
|
Este projeto, coordenado anualmente pela SPEA, procura obter informação de base sobre as populações de milhafres/mantas existentes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Nos Açores a espécie é conhecida por Milhafre ou Queimado Buteo buteo rothschildi, na Madeira é conhecida por Manta Buteo buteo harterti. Ao contrário de outras, esta espécie não tem sido alvo de estudos biológicos aprofundados, pelo que esta iniciativa se reveste de grande importância, principalmente dado o seu papel essencial nos nossos ecossistemas, por exemplo, enquanto agente controlador de pragas, como os ratos. Neste Censo podem participar todos os cidadãos interessados em contribuir para que mais dados científicos sejam obtidos. Denomina-se esta iniciativa por Citizen Science – Cidadania na Ciência. |
Como colaborar / Metodologia
O Censo de Milhafres/Mantas decorre uma vez por ano, durante um fim de semana, no mês de março ou abril, nos arquipélagos dos Açores e da Madeira (com exceção das ilhas Flores e Corvo, nos Açores, pelo facto de nas mesmas não existir esta espécie). Nessa altura, aproveite para dar um passeio, com amigos ou familiares e participe nas contagens! Seja cientista por um dia! Os dados a recolher são simples e não exigem conhecimentos específicos, para além de saber identificar um milhafre/manta! Para participar tudo o que deve fazer é: 1. Escolher e definir a rota que irá percorrer no fim de semana em questão e enviar-nos previamente a descrição da mesma. Desta forma, pretende evitar-se a sobreposição de rotas (Os percursos podem ter o total de quilómetros que o colaborador entenda. A SPEA recomenda efetuar percursos diferentes de 20 km cada um); - Se estiver no Arquipélago dos Açores envie para acores[arroba]spea.pt ou ligue para 918536132. - Se estiver no Arquipélago da Madeira envie para madeira[arroba]spea.pt ou ligue para 967232195. 2. No fim de semana, percorrer a rota escolhida e registar na Ficha do Censo todos os milhafres/mantas observados; 3. Assinalar na Ficha: - o quilómetro inicial e final (a SPEA recomenda colocar o conta-km do seu carro a zeros, ou anotar o indicado no painel, tanto no início como no final do Censo) - todos os quilómetros em que observa milhafres/mantas; - a distância a que os observa: menos de 50 m; 50 – 200 m; 200 – 500 m; ou mais de 500 m (a SPEA deixa uma sugestão, caso avistem uma linha elétrica, a distância entre dois postes é de cerca de 100 m); 4. Após a realização do Censo enviar-nos a ficha devidamente preenchida e se possível um mapa da rota percorrida: - Se estiver no Arquipélago dos Açores envie para acores[arroba]spea.pt ou para SPEA – Povoação; Escola Básica da Lomba do Carro; 9650-320 Povoação; São Miguel; - Se estiver no Arquipélago da Madeira envie para madeira[arroba]spea.pt ou para SPEA – Madeira; Travessa das Torres, 2 A; 9060 – 314 Funchal. |
O município da ilha Graciosa, recolheu em Dezembro de 2012 a maior quantidade de papel e cartão por habitante no país, um feito que o presidente atribui ao "trabalho pedagógico" desenvolvido porta a porta.
Engraxador bem-falante
Renato da Cunha Bettencourt Neves
(08/11/1936 – 10/10/1988)
Via o Renato todos os dias, saltitando entre o quiosque da Praça Fontes Pereira de Melo e os baixos da casa do senhor Belchior. Era nesse dois sítios que estava quase sempre.
O único ofício que lhe conheci foi o de engraxador. Com um banco e a sua caixa, que servia para arrumar os utensílios da profissão e de base para colocar o pé com o calçado à espera de atenção, procurava os clientes, sobretudo aos domingos, na Praça Fontes Pereira de Melo, para lhes dar brilho nos sapatos. Enquanto limpava, dava graxa e polia, o Renato conversava com os seus clientes, que eram todos seus conhecidos, sobretudo sobre futebol.
No entanto o Renato, enquanto rapaz, serviu em várias casas de Santa Cruz. Cuidava dos quintais, tratava dos animais e fazia as “voltas” necessárias àquelas famílias. Nesse tempo ficou conhecido por “guarda-joias”, talvez devido a alguma inconfidência logo aproveitada pelos especialistas em atribuir alcunhas.
Era um homem magro e de baixa estatura, podendo mesmo classificar-se com franzino. Andava bem penteado, muito à conta da brilhantina que lhe alisava o cabelo. No canto da boca via-se quase sempre um cigarro que também lhe amarelava os dedos.
Com o advento da democracia em 1974, os partidos de então, e eram muitos, faziam incursões por estas ilhas debitando as suas ideias em inúmeras sessões de esclarecimentos. O Renato, impulsionado por aquilo que era uma autêntica novidade para todos os graciosenses, levou isso a peito de tal maneira que, quando bebia uns “copitos” a mais, era vê-lo por cima do quiosque da praça em animado “comício” para deleite dos transeuntes, sobretudo os notívagos, que faziam da praça a sua sala de estar.
Empenhava-se muito naquelas suas intervenções, mas não ofendia ninguém. Quando queria reforçar uma ideia ou mesmo repeti-la usava sempre a expressão “ou que seja”, o que levou algumas pessoas a tratá-lo assim, pois, como se sabe e já aqui foi referido, as alcunhas na Graciosa, por vezes, surgem do nada.
Era adepto do Graciosa Futebol Clube, onde chegou a jogar. Certo dia, o treinador mandou-o, na segunda parte, saltar do banco para jogar a ponta de lança. O defesa Reinaldo Tristão, pai e avô de dois guarda-redes do mesmo clube, colocou-lhe a bola no meio campo e o Renato, com o seu passo miudeiro, isolou-se e correu em direção à baliza à guarda do Antero. Quando se viu só à frente da guarda-redes do Santa Cruz Sport Clube desferiu um remate e o Antero, fazendo o que lhe competia, atirou-se para o lado esquerdo e defendeu … a bota de travessas do Renato, enquanto a bola seguiu, menos veloz mas mais certeira, em direção à baliza, fazendo assim um golo de antologia, que o seu autor nunca mais esqueceu, nem nunca deixou de contar sempre que se falava de futebol.
O Renato, ainda novo, teve necessidade de receber tratamento na vizinha Ilha Terceira. Foi aí que acabou por encontrar-se com a morte de uma forma trágica e inesperada.
De: José Ávila, Deputado PS /Ilha Graciosa
Texto publicado no (Blog Oficial): http://temponovo.blogspot.pt
Publicado por: Jorge M. Gonçalves
(Clique aqui para ouvir a Rádio Graciosa): Rádio Graciosa